segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

É isso... por que sem deus?

Neste blog, vou falar da importância da possibilidade de não existir deus e, principalmente, do quanto tem sido incômoda, grosseira, estúpida e irracional a maioria das atitudes dos religiosos. Não estou aqui para provar nada em relação a existência de deus. A questão aqui é posta no plano material, humano, visível e sensível do qual qualquer um de nós parte, seja um crente em deus ou não.

Esta minha posição não é uma revolta, mas uma constatação. "Ter que" acreditar em um deus é muito impositivo. Mas por que "sem deus"? Há muitas respostas e os recursos que trarei aqui para discutir serão de análises, na maior parte das vezes simples, do linguajar do dia-a-dia e de uma lógica básica. A primeira questão é: por que temos que acreditar nesta lógica única, tratando-se no caso da visão monoteísta cristã?

Acreditar faz com que alguma coisa exista? E papai-noel quando acreditado por uma criança? E os deuses de outras religiões nos quais não acreditamos? Por que só a nossa religião é que, acreditada, faz com que essa entidade divina tenha alguma existência?

Falar, dizer, escrever faz com que algo exista naturalmente? Quantas vezes dizemos e mudamos o que falamos? Quantas escrevemos e reeescrevemos o que foi registrado? Por que nos "escritos religiosos" temos que admitir uma verdade acima de qualquer outra, se o que foi escrito foi propagado por várias pessoas e em épocas e locais diferentes?

Vejamos um pequeno exercício da "lógica divina". Se foi deus que criou todas as coisas, ele seria A CAUSA única. E as outras lógicas e modos de dizer existentes? Os efeitos que viram causas, as lógicas da experiência, as várias formas de indução (com base em exemplos quantificados no mundo) e dedução (com base em afirmativas ou premissas para se chegar a uma conclusão), as lógicas abdutivas (com base em vários fatos para se chegar na montagem de uma solução) - essas e várias outras formas de raciocinar e dizer sobre o mundo não valem quando se trata de deus?

O dizer ou linguajar sobre deus é autoritário, perverso, não admite qualquer contra-posição. Assume sua lógica e... acabou. Veja a imagem abaixo do blog UNA, através da qual podemos intuir uma realidade bem clara do dia-a-dia, entendendo o quanto religiosos exigem algo que tem que estar relacionado a sua CAUSA ÚNICA.

4 comentários:

  1. Lafa, achei muito bacana a idéia do seu blog.

    A partir desse primeiro post já tenho algumas considerações a fazer.

    É muito complicado discutir sobre religião pois não nos tratamos sobre coisas discretas, sistematizadas, concretas. Religião é fé, acreditar no que ainda não conseguimos explicar. Não somos obrigados a acreditar, religião é opcional (inclusive ter ou não), mas no meu ponto de vista, há certas coisas que não sabemos explicar como ocorrem, mas sabemos que ocorrem. Por exemplo: você acredita em OVNI's, vida em outros planetas? Muitas pessoas acreditam, eu acredito, mas não sei explicar o porque. Apenas sinto isso.

    A minha religião (espiritismo) me ajuda muito no sentido de "acredito em acreditar". Essa afirmação é muito sutil, pois a maneira em que somos apresentados às informações nos faz entender que aquilo é digno de se acreditar (para mim, claro).

    Assim como eu, as outras pessoas possuem afinidades de acordo com sua cultura, suas crenças e seus ideais. Mas uma coisa eu defendo, acima de tudo: As religiões são maneiras diferentes de defender as mesmas coisas, só que em formatos diferentes, adequados para cada tipo de povo.

    Sobre o exercício da "lógica divina", o que você falou como causa única, na minha religião eu vejo como causa primeira. Para mim é como se fosse um elaborador de um jogo: Foram criadas as regras (leis da física, por exemplo) e alguns jogadores (toda a matéria do universo, os espíritos no meu caso também) e foi dado início à partida. O início da partida é a causa primeira, que aliado às regras, dá continuidade ao jogo. Só que é um grande jogo sem final (pelo menos que podemos enxergar) e sem começo (também que não podemos enxergar).

    Quando você fala de comportamentos religiosos como esse descrito, só mostra a falta de preparo do tal "religioso". Outra coisa que podemos observar aqui é que não existe uma "lógica religiosa". A charge tenta mostrar que religião não é ciência ao meu ver já que a ciência utiliza da lógica como base para sua "comprovação" das coisas. A nossa matemática ainda não é capaz de absorver tudo que vemos. Já li vários e vários artigos sobre a teoria das Supercordas, que segundo os cientistas, seria capaz de explicar vários "fenômenos" que as religiões só explicam através da fé. Mas o que eles dizem que atrasam esse avanço? Falta de ferramentas matemáticas para tal avanço. Precisamos ter cautela ao falar sobre religião, pois tudo é muito sutil e não temos em geral argumentos logicamente explicados. Muitas vezes, temos que "pisar em ovos" ao falar do assunto.

    Adorei o blog, Lafa. Manda um abraço pra Vinícius e Geraldo, faz tempo que não os visito.

    Um grande abraço do seu ex-aluno e ex-vizinho!

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  2. O comentário acima falou basicamente o que eu queria expressar aqui, mas ainda devo acrescentar alguns pontos.

    A lógica das religiões cristãs mais populares (catolicismo, protestantismo), justamente por serem mais populares, tende a ser bastante simplificada, generalizada, e, em algumas vezes, como você mesmo evidenciou, ABSURDA! Acredito que faça parte do processo. As pessoas, no geral, são preguiçosas, não querem parar pra pensar o que estão fazendo com sua própria vida, as implicações das suas crenças, etc.

    A questão é que podemos vivenciar Deus e toda a nossa espiritualidade através de várias matizes diferentes. Há o espiritismo do nosso amigo no comentário acima, o próprio Judaísmo, com toda sua tradicionalidade. Há também diversas doutrinas esotéricas que nos coloca numa posição que não basta apenas acreditar cegamente. Você tem que evidenciar e vivenciar Deus por si só. É uma experiência bastante íntima, pessoal. O conceito de Deus(es) ainda é bastante abstrato, mas é a existência de diversos aspectos da nossa vida terrena que são inexplicáveis e intrigantes não pode ser negada.

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  3. Gosto do que disse Krishnamurti: Ninguém pode chegar até a Verdade usando o caminho dos outros. A Verdade não pode ser organizada; É impossível organizar uma crença. A fé é uma questão puramente pessoal - e se não for assim, ela termina morrendo.
    Então não é pela religião que você vai alcançar a verdade. Nem seguindo nenhum guru ou líder. O caminho é dentro de você.

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  4. Se tudo é feito de energia... inclusive a matéria... e o que muda nos diferentes estados é a frequência de vibração dessa energia... então um pensamento e uma pedra tem a mesma essência [a energia], e posso considerar que ambos existem. Certo?

    Então... mesmo que eu descarte a existência de Deus como matéria, o fato de falarmos sobre ele aqui já indica que não podemos ignorar a sua existência no plano mental, no "mundo dos pensamentos".

    E como o "mundo dos pensamentos" está baseado em conexões neurais que nada mais são do que pulsos elétricos... então, a existência de Deus é apenas uma questão de frenquência de energia...

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